sábado, 8 de agosto de 2009

Narciso num mar de hesitações

Quem diria!
Ainda a procissão não tinha chegado ao adro, que é como quem diz, ainda não se falava em eleições, e já Narciso se movimentava em águas eleitorais. Como os falcões, a descoberto, ou através de mensageiros enviados de forma cirúrgica a apalpar o terreno, que é como quem diz, a avaliar o efeito duma candidatura anunciada.
Das conclusões extraídas, e com base na longa experiência adquirida, achou por bem fazer-se ao mar, que é como quem diz, lançar-se na corrida à presidência da autarquia matosinhense.
Nesta corrida virtual, enquanto os concorrentes principais dormiam o sono dos justos, que é como quem diz, não consideravam chegada a hora de anunciar-se como adversários, Narciso levava larga vantagem.
Os seus homens de mão através da imprensa local, em artigos de opinião, preparavam meticulosamente o terreno, ora empolando méritos seus, ora desvalorizando méritos alheios. Amigos de peito, multiplicavam-se em diligências na busca de dados que pudessem servir de barómetro na medida da temperatura política local.
Não pode, em abono da verdade, desdizer-se do efeito assim conseguido.
Só que, de súbito como que atacado por um vírus gripal dos que estão na moda, a dianteira tomada com aquelas acções de promoção foi-se esbatendo. Foi perdendo avanço.
Outros candidatos, tendo iniciado a corrida bem mais tarde, dão de todo a impressão de ter alcançado o fugitivo na preparação das suas equipas.
Algumas são já do conhecimento público.
Fracas ou fortes, valendo o que valem, aí estão elas.
Para o bem e para o mal, como se dizia dos casamentos no tempo da D. Concordata. E as de Narciso?
Moita, carrasco!

2 comentários:

Vitor Soares Maganinho disse...

Parabéns pelo texto, muito pertinente.

Já o escrevi e reitero hoje, Narciso cometeu erros de que dificilmente recuperará e que vai pagar caro, vamos ver o quanto.

O grande erro de Narciso foi apresentar-se como independente, capitalizar descontentes, desencantados de outros quadrantes políticos e como o texto refere muito bem, ganhar um enorme avanço em relação à concorrência, representante das máquinas partidárias. O tal erro vem quando se convenceu que esses estavam conquistados e poderia então abandona-los para ir em busca dos socialistas.

A "velha raposa" da política matosinhense, comportou-se como um inocente pintainho ao dar o tiro que não foi no pé, foi bem acima, no mínimo atingiu os pulmões e não sei se não terá afectado o vital coração, quando assumiu "SER UM INDEPENDENTE COM A CAMISOLA DO PS ESCONDIDA POR BAIXO". Os portugueses em geral já demonstraram em inúmeras ocasiões que não gostam de coisas escondidas e certamente que os matosinhenses que queiram votar no PS, o farão maioritariamente então no PS oficial. Da mesma forma que os descontentes com o PS, não irão votar num PS, escondido. Narciso Miranda naquele dia, pode ter terminado a sua carreira política. Não acredito que o PS algum dia vá querer reciclar, um político que diz quase diariamente que recusou "tachos com rendimentos elevadíssimos, oferecidos por esse mesmo PS, só para calçar as pantufas políticas" ao mesmo tempo que não vejo outro partido a querer um elemento nos seus quadros que sonha alto e em bom som todos os dias com o regresso ao PS pela porta grande.

O discurso do " o meu partido e as minhas camisolas são Matosinhos", veio tarde. Mas...

Narciso como humano que é, errou. Mas não deixou de ser a velha raposa e já demonstrou que está em grande forma e com capacidade para lutar.

Matosinhos vai ser garantidamente o 2º Concelho do país em expectativa eleitoral nas autárquicas de Outubro.

Abraço

JOSÉ MODESTO disse...

Interessante este texto para o qual segere-me o seguinte comentário:
Não há problema em hesitar se depois se prosseguir...Foram muitas as opiniões que escrevi e espero continuar a escrever.
Ao referido texto acrescento sómente duas palavras, perdoem-me a repetição:
Equipa>Trabalho>Equipa>trabalho>Equipa>Equipa...

Saudações Marítimas
José Modesto